
O acesso à Internet é cada vez mais comum. Em três anos, o percentual de brasileiros de dez anos ou mais de idade que acessaram ao menos uma vez a Internet pelo computador aumentou 75,3%, passando de 20,9% para 34,8% das pessoas nessa faixa etária, ou seja, 56 milhões de usuários. Isso é o que traz a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada em 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse crescimento é visivelmente influenciado pela participação dos internautas brasileiros nas chamadas redes sociais, ou, na verdade, redes sócio-virtuais como defende a jornalista da Assessoria de Comunicação da UFS, Jéssica Vieira em seu artigo ‘Redes Sociais: o preço da corrida contra o anonimato’. “A Internet veio para aproximar as pessoas mas, ao mesmo tempo que você tem uma aproximação, também tem uma distância muito grande. Poucas vezes alguém liga para você, elas deixam recados no MSN, pelo Twitter, pelo Orkut, e você acaba tendo uma vida social muito virtual, sua vida acaba sendo sócio-virtual e não social”, explica a jornalista.
Um bom exemplo desse comportamento é o da estudante de enfermagem, Tamara Oliveira, que, apesar de tímida e reservada, considera-se viciada em Internet. “Eu não passo 24 horas na Internet, mas me considero bastante viciada, porque às vezes fico horas em frente ao PC, sem fazer nada, apenas no MSN e no Orkut (meus vícios), não passo um dia sequer sem entrar na net”, revela. Mas ela diz que isso já foi pior, afirma que hoje já vive mais no mundo real e tenta deixar a introspecção de lado. Porém, uma olhada em alguns dos perfis, como o seu Formspring, através do qual nos concedeu a entrevista, percebemos que sua vida virtual ainda é movimentada, e confessa: “Já tentei parar de usar, mas não consigo. Agora que estou estudando é que conseguir deixar um pouco de lado, pois estava tomando muito meu tempo”. (Veja a entrevista completa aqui)xemplos como o de Tamara vem se revelando cada vez mais comuns. Segundo a professora e pesquisadora do Departamento de Artes e Comunicação da UFS, Lilian França, ainda não se tem uma explicação científica para esse comportamento dos brasileiros frente à Internet, mas ela aponta que a sociabilidade típica do nosso povo é umas das principais explicações. “Ainda precisa-se fazer um estudo de caso, mas alguns autores já defendem que o alto grau de sociabilidade do povo brasileiro não seja só nas relações tradicionais, mas também nas relações mediadas pela Internet”. Ainda de acordo com a professora, alguns motivos secundários podem ser apontados. “Hoje o mundo está cada vez mais violento, ou seja, as pessoas procuram se relacionar na segurança de sua casa, e na Internet isso é muito fácil, pois nessas redes você pode fazer amizades com pessoas de qualquer lugar do mundo que tenham afinidades com você”, explica.
A pesquisa feita pela empresa de consultoria belga, Insites Consulting só endossa o aspecto levantado pela pesquisadora. Segundo o estudo, os usuários ao redor do mundo já chegam a cerca de 940 milhões, e o Brasil ocupa uma posição de destaque. Já somos considerado o país com usuários mais ativos e com mais amigos em sua lista. Ainda há outro dado importante, juntamente com Portugal, esses mesmo usuários integram em média duas redes sociais enquanto os outros usuários dos países pesquisados integram somente uma.
Nenhum comentário:
Postar um comentário